Ladainha


ANU


PEDRO CEM

A Lenda de Pedro Cem

 

Lá no céu vai quem merece

Na terra vale quem tem

A soberba combatida

Foi quem matou Pedro Cem

Deus é pai de nós todos

E eu não sou pai de ninguém

Lá se foi minha fortuna

Exclamava Pedro Cem

Ontem eu fui milionário

Já tive e hoje não tenho

O que ontem me valia

Hoje nem valia tem

Ele dizia nas portas

Uma esmola a Pedro Cem

Quem já teve hoje não tem

A quem eu neguei esmola

Hoje me nega também

Nasci num berço dourado

Cresci num colchão macio

Hoje eu morro no relento

Neste imundo e chão frio

A justiça examinando

Os bolsos de Pedro Cem

Encontrou uma mochila

Dentro dela um vintêm

E um letreiro que dizia

Já teve, hoje não tem

 

anu

O Anu nao canta em gaiola

Nem bem dentro, nem bem fora

So canta no formigueiro

Quando ver formiga fora

Camara...

um dia que A...

Iê!

No dia que eu amanheço (bis)

Com vontade de jogar

Dou vinte pulos pra cima

Caio no mesmo lugar

Viro corda de cipó

Viro cobra de coral

Do dentada venenosa

Doutor não pode curar

Camarada...



dinheiro

Quando eu tinha meu dinheiro

Camarado me chama de parente

O dinheiro se acabou

Camarado me chama de valente

Haha

sapato

Iê!

O sapato quando aperta (bis)

É porque o pé cresceu

Mulher sorrindo pra outro

O marido que morreu

Pai e mãe larga o sorriso

Filho novo que nasceu

Feito atrás das bananeiras

Quando o céu escureceu

No passado quando a moça

Pensava em casamento

Falava pro pretendente,

Pra pedir consentimento

Pro pai, a mãe e a família,

Pra provar ter sentimento

Hoje a noiva se preocupa,

Que dia ele vai ter aumento

Camarado...

o mundo de deus

Iê!

O mundo de Deus é grande (bis)

Deus traz numa mão fechada

O pouco com Deus é muito

E o muito sem Deus é nada

Noite de escuro não serve

Pra caçar de madrugada

Caçador da muitos tiros

De manhã não acha nada

Veado corre é pulando

Cotia corre na trilha

Se eu fosse governador ou

Manobrasse a Bahia

Marinheiro absoluto chegou pintanto Arrelia

Isso que Marujo faz,

Comigo ele não faria

Camarado

Mundo Enganador (CD Mestre Paulo dos Anjos)



cobra verde

Iê!

Sou filho da cobra verde

Neto da cobra coral

Quem quiser saber meu nome

Meu veneno é de matar!

Valha me Deus, Nossa Senhora

Mãe de Deus o Criador

Nossa Senhora me ajude

Nosso Senhor já me ajudou

Camará...

nao sei o que fazer

Iê!

Eu não sei como se vive

Nesse mundo enganador

Se fala muito é falador

Se fala pouco é manhoso

Se bater é desordeiro

Se apanha é mofino

Se come muito é guloso

Se não come é mesquinho

Trabalho tem maribonde

Fazer casa no capim

E o vento leva ela, ai meu bem

Maribondo leva fim

Caveira quem te matou, ai meu bem

Foi a língua meu senhor

Um dia tava com sede

Pensava em ser ruim

E eu sempre lhe dizendo

Inveja matou caim

Camaradinha...

siri de mangue

Iê!

Abre os olhos Siri de Mangue (bis)

Todo tempo não é um

Veja que a maré de março

É maré de Guaiamum

Entre Grandes e pequenos

Hoje não me escapa um

Siri ta se vendo doido

Na presa do Guaiamum

Camaradinho...



cobra assanhada

Quando vê cobra assanhada (bis)

Não bote o pé na rodilha

A cobra assanhada morde

Se fosse cobra eu mordia

Cachorro que engole osso

Em alguma coisa se enfia

Na goela ou na garganta

Ou em outra freguesia

Prenderam Pedro Mineiro

Dentro da Secretaria

Para dar depoimento

Daquilo que não sabia

Camaradinho...

lenço pra cima

Iê!

Joguei meu lenço pra cima (bis)

Aparei no canivete

Quem me ensinou essa quadra

Foi o Bamba Dezessete

Joguei meu limão pra cima

De maduro foi ao fundo

Tirei carta de malandro

Certidão de vagabundo

Na roda da malandragem

Eu não dei meu passe errado!

Camarado...

vou ser bombeiro

Iê!

Minha mãe vou ser bombeiro (bis)

Meu filho bombeiro não

O bombeiro apaga fogo

Anda com a morte na mão

Abre os olhos Siri de Mangue

Todo tempo não é um

Veja que você não guenta

Com a presa do Guaiamu

Já comprei todos os temperos

Só faltou farinha e banha

Eu não caio em arapuca

Em laço ninguém me apanha

Camarado...



covarde

Iê!

Ele diz que eu sou covarde (bis)

Disse até que eu tenho é medo

Minha mãe me avisou

Se tu jogar capoeira

Tu se cuide enquanto é cedo

Galinha de um olho só

Procura o puleiro cedo

Respondi pra minha mãe

Goteira de bica fina

Nunca vai furar rochedo

Camarado...

vizinho

Iê!

Perto de mim tem um vizinho

Ao pé de mim tem um vizinho

Que enricou sem trabalhar

Meu pai trabalhou tanto

Mas nunca pode enricar

Não deitava uma noite

Se deixasse de rezar

Camará...

anum

Iê!

Anum não canta em gaiola (bis)

Nem bem dentro, nem bem fora

Só canta em formigueiro

Quando vê formiga fora

Camarado...



vencer

Iê!

Se vencer uma batalha (bis)

E matar o perdedor

Na guerra que vivo em vida,

Não me vejo ganhador

Pois sem matar nem ferir,

Eu me sinto vencedor

A luz da experiência

Do caminhar nas estradas

O cruzar encruzilhadas,

Me ensinou a jogar

Jogar o jogo da vida,

Na vida vencer o jogar

O jogar pela vitoria

Entristece o jogador

Quando pensa que venceu

Ele é o perdedor

Camará...

conselho de mae

Iê!

Minha mãe já me dizia (bis)

Meu filho tome juízo

Mulher é muito bom

Mas também dá prejuízo

Não vou na sua casa

Pra você não ir à minha

Você tem a boca grande

Pra comer minhas galinha

No lugar onde eu nasci

De manha tem Oração

Ajoelhado na igreja

Na cintura seu facão

Camarado...

camaleao

Iê!

Se eu quiser mudar de cor (bis)

Basta que eu saia do sol

Peixe quando quer morrer

Come isca de anzol

O patrão ficou de olho

Nas coisas que eu dizia

E se esqueceu de olhar

As coisas que eu fazia

O lagarto se esconde

Onde fica protegido

Eu não sou camaleão

Mas posso ser colorido

O lagarto é brasileiro

Anda de verde e amarelo

Quando quer pegar barata

Não precisa de chinelo

Quando o galo bebe água

Agradece, olha pro céu

Chuva fina amoleceu

A aba do meu chapéu

Camará...



Precaução

Iê!

Todo dia da semana (bis)

Você me vê ocupado

Procurando me esconder

Da vigília do soldado

Da língua do falador

Do facão do enciumado

Da tristeza do doente

Do azar do excomungado

Do olho grosso do invejoso

De quem não venceu na vida,

Só porque foi preguiçoso

Camará...